15 de novembro de 2011

O primeiro

Comemoramos pela primeira vez o teu aniversário. Não estranhaste porque ainda à dias foi a vez da tua irmã, por isso a agitação, as luzes apagadas e as velas acesas não te meteram medo. Esboçaste mesmo um sorriso quando percebeste que era para ti que a tua familia cantava e quando, por fim venceste a timidez, olhaste bem para cada um deles a cantar e a sorrir de olhos postos em ti. Quiseste agarrar a chama da vela, porque te intrigou. Nisso sais a mim.
Não achaste grande graça aos embrulhos, mas como tens de ser diferente em tudo, achaste mesmo graça ao que estava dentro dos embrulhos. Quando desembrulhaste a prenda que a madrinha da tua irmã te ofereceu, olhaste para trás, e de olhos nos meus olhos abriste um sorriso bestial. Só podemos tentar adivinhar o que te passou na cabeça, mas acredita que este momento ficará para sempre em mim.
Com um ano és absolutamente diferente da tua irmã, a única coisa em que são iguais é na rapidez com que quiseram andar e tu já andas bem, apesar de não te quereres aventurar a andar sozinha. Não és particularmente mariquinhas embora sejas mais mimalha que a tua irmã, mas não és de grandes aventuras, excepto quando te atiras da cama.
Vocalizas muito mas, talvez por não teres dentes (para além dessa coisinha que não tem pressa para crescer), não tens ainda vocábulos especificos. Mas não é por isso que não te entendemos. Também me parece que não tens grande pressa para falar porque toda a gente te entende mesmo sem palavras, e só quando estás mesmo aflita é que atiras um mamã.
Ainda assim estás sempre a palrar, e no carro cantas com o rádio. Na outra noite acordaste a meio da noite, e por acaso calhou a tua irmã ter um pesadelo e chorar no quarto ao lado. Ficaste aflita e fizeste aquele som de quem está a chamar e a perguntar ao mesmo tempo. Fui ter com a Mafalda e enquanto a acalmava ainda te ouvia a chamar por ela. Fiquei com as lágrimas nos olhos e apeteceu-me apertar-vos bem contra mim e ficar assim para sempre.
Começas a ter ciúmes da tua irmã (e não ao contrário!) embora ela não se aperceba porque está sempre nas excitações dela. Mas eu vejo a forma como tu a vais empurrando quando ela se vem agarrar a mim, e a tua expressão quando ela vem para o meu colo ou me abraça.
Para ti eu sou o teu mundo, e fazes questão de me mostrar que é assim. Continuas a ter a expressão mais doce quando te mimo, e quando te dou beijinhos fechas os olhos e sorris, sempre foi assim.
Não tens medo da água e achas graça ao chuveiro, tentas com as tuas mãos apanhar a água que sai tão direitinha de lá, mas por uma razão que tu não entendes, a água muda de forma e escorrega, e deixa rapidamente de ser como tu a vês.
Estás a deixar de ser bebé e vou dizer-te que isso me assusta um bocadinho, mas por outro lado, tenho muita curiosidade de te ver crescer, pela amostra vai bem valer a pena.

1 comentário:

karenfae disse...

beautiful little one.
Karen

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