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16 de janeiro de 2012

Coisas Delas

Ontem o avô pendurou um espelho no quarto delas. Depois de se ter olhado no espelho por várias vezes chamou-me e disse: "mãe, estou mesmo alta neste espelho!"
Lá-lhe mostrei que ela está mesmo alta e não é só no espelho, e quando lhe mostrei que ela já passava do meu umbigo ficou em extâse. Parece que chegámos à fase em que começa a tomar consciencia do seu próprio corpo.
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Ontem ao jantar a Mafalda olha para as mãos do V. e pergunta-lhe: "Onde está o anel do casamento?"
Ele levanta a mão e mostra-lho.
Ela olha para mim e repete a pergunta. Eu olho para a minha mão e no dedo não está nada. Disse-lhe que o anel estava no quarto porque tinha andado a limpar e por isso tinha-o tirado.
O V. diz-lhe logo:"sabes, é que a tua mãe só é casada quando sai de casa"
Ela muito série encara-me olhos nos olhos e diz-me: "olha mãe, se amanhã não tiveres o anel do casamento no dedo eu vou-me zangar contigo."
Ora toma. Tenho um marido que não se zanga se me esqueço da aliança e uma filha que não deixa passar um esquecimento.
A parte má é que me esqueci mesmo da aliança outra vez. Será que a consigo voltar a por antes dela dar conta?
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Já a Teresa  arremessou um "Tim, Tim" em resposta a uma pergunta que lhe fiz, e já perdeu o medo de andar pela mão da irmã.
Ontem disse-lhe para irmos para o quarto brincar e ela agarrou-se à minha mão e foi andando, depois parou, voltou para tráz e foi até à Mafalda, agarrou na mão dela e puxou-a, e fomos de mão dada as 3 até ao quarto.

10 de janeiro de 2012

L'enfant terrible

O ano novo começou ao ritmo a que o anterior acabou, ou seja muita coisa a acontecer em pouco tempo. No dia 1 a Teresa acordou com mais um dente, desta vez um canino superior, e no dia seguinte com o segundo incisivo inferior. Uma semana depois o segundo canino superior.
Ora, tenho para mim que um de nós (eu ou o pai, mas quase de certeza o pai) é descendente do famigerado conde drácula. Os caninos nasceram antes de todos os outros dentes, à excepção do incisivo inferior que continua pequenino, pequenino. É certo que estão muito a tempo, os outros é que estão atrasados. Mas ainda assim não deixa de ser estranho, e simultaneamente hilariante, ver esta piturra sorrir com sorriso de vampiro, é que para ajudar à festa, os caninos crescem muito mais depressa que os outros dois dentes que ela tem, logo quando ela se ri vê-se nada mais nada menos do que caninos, e grandes, e brancos.
Juntem isso ao temperamento dela, à fraca relação que ela tem com a sopa e com tudo o que não esteja no meu prato e que não seja iogurte ou papas, à forma como ela se aborrece quando lhe tentamos dar sopa e às birras que faz, às refeições que, com mais frequencia do que gostavamos, acabam por fazer uma rápida viagem de regresso ao mundo exterior depois de quase uma hora a tentar que ela a coma, e no fim de tudo somado, e feitas bem as coisas, chegam à fórmula mágica para perderem a vossa juventude e a vossa sanidade mental em três tempos.
Esta é a filha que me faz sentir bipolar. Se por um lado é um doce de bebé, agarrada a mim como só ela sabe ser, que me procura de noite e me agarra, que se deita em cima de mim só para ficar mais perto, que se ri muito para mim, que brinca e conversa e que me faz perceber que foi para isto que nasci, por outro lado consome-me em preocupações, e faz-me ver e rever mentalmente se existe alguma coisa que eu possa fazer de outra maneira, se estarei a falhar algum passo do processo ou se me esqueci de alguma coisa, que me faz oscilar entre pensar que é tudo normal, que é dela, que há bebés assim e que ela não tem de ser como a irmã, que se calhar é mesmo genético, que já a bisavó se queixava dos dela, dificeis para comer até à loucura, ou então que existe qualquer coisa de errado com ela, que podem ser sintomas de qualquer coisa que a pediatra não está a valorizar, que ela pode estar doente e eu para aqui a tentar achar que é tudo normal.
Pelo sim pelo não, acrescentei mais uma resolução à minha lista de ano novo. Vou levá-la a outro pediatra só para ouvir uma segunda opinião.
Tenho um pijama que nas calças têm uma série de tiras da Mafalda do Quino, e ontem dei por mim a ler uma delas que dizia: a vida é linda, o problema é que muitas vezes se confunde o lindo com o fácil.
E ser mãe é verdadeiramente lindo, tão lindo que não cabe em palavras tão pequenas como lindo ou bonito ou mesmo magnifico, mas não é fácil, nada nada fácil.

30 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo | Happy New Year

Chega ao fim mais um ano. Deve ser da idade mas este ano, pela primeira vez, apetece-me olhar para trás, fazer um balanço, olhar para a frente e comprometer-me com alguns objectivos para o próximo ano.
Nós, os portugueses, não temos um dia de acção de graças, temos muitos feriados católicos dedicados a santas e santos, temos a páscoa e a sua via sacra em que nos penitenciamos pelos nossos pecados durante quarenta dias e em que nos comprometemos a sermos melhores pessoas, mas não temos um dia de reflexão para olharmos para o tanto que temos e agradecer (a quem quer que seja).
E se existe palavra que descreve o que sinto quando relembro o ano que passou é mesmo GRATIDÃO.
Foi um ano cheio de coisas boas e claro, também teve as suas coisas menos boas. Foi o primeiro ano em que vivi o ser mãe de duas crianças em pleno, e em que assisti à forma única como elas desenvolveram laços entre elas, e por isso estou grata.
Foi o ano em que casei, com o Homem que conseguiu convercer-me a isso, e só por o ter conseguido merece tudo. Foi também o ano em que pela primeira vez senti o terror de o poder perder e isso fez-me crescer mais um bocadinho e rever as nossas prioridades. Também por isto estou grata.
Foi o ano em que andei de avião pela primeira vez e pela primeira vez estive afastada delas mais de 48 horas, e sobrevivi à distância a senti saudades e ao voltar vi sorrisos enormes e senti abraços apertados. E estou grata por ter tanto amor em mim e à minha volta.
Foi um ano cansativo, com muitas noites mal dormidas, com os nervos à flor da pele porque a Teresa continua a só querer comer quando as luas estão de feição, sempre a medir forças com a Mafalda e a sua teimosia independentista (quem é que me mandou chamá-la Mafalda?!), mas ainda assim foi um ano bom. E por tudo o que aprendi e ensinei estou grata.
Foi um ano em que de tanto me dividir, tudo multipliquei e também por isso estou grata. Ao olhar para trás relembro que em Janeiro tinha nos meus braços um bebé pequenino e que em Dezembro tenho uma bebé maior e linda que anda ao meu lado, que se ri muito e que se derrete quando a mimo, ainda que me consuma com o seu temperamento. Em Janeiro também ainda tinha um bebé grande, de olhos escuros e sorriso aberto e agora tenho uma menina teimosa e esperta, que argumenta tudo e questiona tudo, que fala pelos cotovelos, que tem uma criatividade sem limites, para o bem e para o mal, que faz a cama dela por auto recreação e que gosta de me ajudar.
Estou grata por esta dádiva que a vida me deu de ser mãe, de ter estas duas pessoas pequeninas na minha vida, de as amar e de me sentir amada na mesma proporção. E só isto é suficiente para anular as coisas menos boas que ficaram pelo caminho deste 2011.
Quanto a 2012, o meu desejo é que seja infinitamente melhor, não só para mim mas para todos, e que na impossibilidade de ser um ano melhor que seja pelo menos igual a este que agora termina.
E feito o balanço é altura de pensar no ano que se avisinha e listar as minhas intensões que espero concretizar em objectivos atingidos durante 2012. Para que fique registado em 2012 e quero:
  1. Increver-me como dadora de medula óssea (já ando a adiar hà pelo menos 3 anos)
  2. Levar a mafalda ao teatro e ao cinema (com 4 anos já me parece razoável)
  3. Mudar-me de casa virtual
  4. Retomar o meu Dear Jane
  5. Acabar os 2 quilts que estão em estágio
  6. Não voltar a deixar o Natal ser o Caos que foi este ano:)
Agora a sério, este ultimo mês do ano descontrolou-me as rotinas por completo e o meu principal objectivo para 2012, para além de me inscrever como dadora, é mesmo o de implementar o sistema de organização que tenho estado a desenvolver (em função das nossas necessidades), para poder ter as rotinas controladas e ter sempre um plano de contingência pronto a entrar em acção (sou capricórnio, não se nota?!). Para ver se falha pouca coisa e se me sobra mais tempo para estar com ele e com elas, que são eles que são sentido à vida. O resto é simultâneamente essencial e acessório se é que me entendem.
Um Feliz 2012 para todos.

28 de dezembro de 2011

Crafts de Natal

Nem sei por onde começar :)
Para quem, por norma, começa a preparar o natal entre Julho e Agosto, este ano o natal foi o Caos. Total.
Primeiro porque o que queria fazer este ano não necessitava preparação tão antecipada e depois porque fui pondo projectos em cima de projectos e o Natal parecia-me tão longe ainda, que quando finalmente despertei faltavam menos de 48 horas.
O plano mudou tantas vezes que nem sei se me consigo lembrar de tudo o que fui alterando. Primeiro pensei em frascos de doce e bolachas, depois comecei a fazer o doce e guardei, por razões obvias, as bolachas para o fim. Algures pelo meio tive de organizar o meu casamento, que me deu coisas para fazer até ás 5 da manhã do dia em que casei.
Quando olhei para o calendário estavamos em Novembro e os anos das miúdas à porta, organizar 4 festas em 15 dias tem que se lhe diga. Quando passou a ultima festa já só queria era descansar e parece que alguém me ouviu, porque na altura em que me ia, finalmente, por a preparar o natal, ganhei uma semana de férias no Hospital dos Lusiadas à cebeceira do meu recem marido. 
Susto passado, rotinas no caos, e de volta a casa vi-me grega para voltar a por as coisas em ordem e as prendas de natal por fazer.
Aqui perdi a noção do tempo, o que me acontece com alguma frequencia quando começo a dormir menos do que o razoável.
Ainda assim deixo-vos com o plano possivel.
O plano possivel acabou por ser oferecer bolachas embaladas em latas de leite em pó (da Teresa) que coleccionei o ano todo. As latas, inicialmente na versão A do plano, eram para forrar com tecido de natal, mas não vi nenhum de jeito por cá e achei que a ideia de comprar fora tecidos acabava por encarecer um projecto que se queria simples e económico. Por isso não comprei o tecido e fiquei à espera que me chegasse outra ideia via caldeirão das ideias.
Que chegou de facto em outubro quando me lembrei de pedir à Patricia que me fizesse um conjunto de carimbos que eu podesse usar para estampar um tecido. Já agora aviso que isto dos carimbos tem que se lhe diga de tão viciante que pode ser.
Comprei depois as almofadas de tinta apropriada para tecido e madeira, que para não variar nada, não são assim tão fáceis de achar por cá. O tecido optei por escolher o pano cru, por ser suficientemente grosso para suavisar a superficie irregular das latas (também não percebo porque é que não fazem as latas lisas). Só ficou a faltar o tempo para carimbar os panos e escrever Bolachas.
Algures no decorrer do processo deparei-me com umas receitas de chocolates, tipo lascas de chocolate com vários complementos, no original Chocolate barks (vale a pena pesquisar no google) e achei que davam igualmente um presente bestial e que podia aproveitar as latas também para isto. Não sei se repararam mas em cima do Natal fiz mais uma alteração no plano. Mas continuava sem tempo.
As canetas que usei são também para tecido e resolvi brincar com a com a caligrafia em com as cores para não ter as latas todas iguais. Não que fizesse grande diferença já que não eram todas para a mesma pessoa.
É claro que quando comecei a sobrepor o tecido nas latas cheguei à conclusão que as letras do rótulo se viam e vai daí que tive de as pintar a todas com tinta em spray e senti-me tão rebelde como qualquer graffiter, só que estava na minha cozinha, rodeada de cartões e latas e a pintar tudo de branco.
A sério, valeu-me o sr. administrador ter feito um manguito à troika e ao actual governo desta nossa republica, e ter oferecido a tarde do dia 23 aqui à menina, para ter tempo de fazer qualquer coisinha para oferecer a algumas das pessoas com quem passei a consoada.
Com este sufoco todo consegui fazer 4 latas do principio ao fim, duas com chocolates, as outras com bolachas. Podia ter sido pior mas fiquei a milhas do objectivo inicial. O bom é que nem eu me lembro bem qual era o objectivo.
Ainda assim, temos a crise como desculpa e ninguém leva a mal se este ano não estiver contemplado para receber uma lembrança nossa.
Os pendentes da lista têm a fantástica oportunidade de iniciar uma nova tradição que é a de receberem prendas no dia dos reis, como os espanhóis. Isto se eu ainda tiver cabeça e energia para acabar isto, se não já sabem o que o pai natal vai trazer para o ano!
Claro está que passei o dia 24 a fazer bolachas para enfiar nas latas e entre a Teresa e a Mafalda penduradas em mim e um pai sem saber que mais fazer para as manter entretidas e longe da cozinha, consegui só queimar 2 fornadas de bolachas o que não foi nada mau.
Isto porque enquanto as bolachas iam ao forno e os tabuleiros estavam ocupados eu andei feita louca a embrulhar as prendas para oferecer daí a umas horas.
Quando chegou finalmente a hora de sair de casa eu estava pronta para ir para a cama. Natal é quando o Homem quiser mas é por estas e por outras que só nos apetece o natal uma vez por ano, e geralmente apetece no fim do ano que é para parecer que ainda temos um ano inteiro até voltar a ser natal.
De regresso a casa depois da uma da manhã ainda estive a embrulhar as prendas delas até às 3 e meia da manhã. Valeu-me a TVI estar a dar o Assalto ao Arranha Céus e me ter presenteado com o Bruce Willis quando ele ainda era o Bruce Willis para me aquecer a noite.
Queriam fotos das latas todas bonitinhas não queriam? Também eu. Mas no meio do corre corre ficaram por tirar. Pode ser que as que hão de vir com os reis magos tenham tempo para a sessão fotográfica que este ano o pai natal estava com pressa.
O lado bom deste natal é que tive os meus pais e os meus sogros à mesa tanto na consoada como no dia de natal, o que foi muito bom. Gosto de ter toda a gente junta, e não sou nada dada a separatismos.
As miudas adoraram o Natal, mais a Mafalda claro que estava doida a abrir as prendas dela e as da irmã. A Teresa adorou a confusão e agarrou-se logo a alguns bonecos que recebeu. A minha sobrinha mudou por comlpleto e saiu da asa da timidez e pela primeira vez em dois anos e meio dirigiu-me a palavra.
O meu avô, apesar do imenso cansaço que traz no corpo e do sofrimento que lhe vi nos olhos, estava babado com os bisnetos.
Apesar de tudo foi um natal como deve ser, com a familia, com a casa cheia de crianças e de alegria, com a mesa cheia de doces de natal, e com o sentimento inigualável de pertença.
Para o ano estamos lá outra vez.

15 de novembro de 2011

O primeiro

Comemoramos pela primeira vez o teu aniversário. Não estranhaste porque ainda à dias foi a vez da tua irmã, por isso a agitação, as luzes apagadas e as velas acesas não te meteram medo. Esboçaste mesmo um sorriso quando percebeste que era para ti que a tua familia cantava e quando, por fim venceste a timidez, olhaste bem para cada um deles a cantar e a sorrir de olhos postos em ti. Quiseste agarrar a chama da vela, porque te intrigou. Nisso sais a mim.
Não achaste grande graça aos embrulhos, mas como tens de ser diferente em tudo, achaste mesmo graça ao que estava dentro dos embrulhos. Quando desembrulhaste a prenda que a madrinha da tua irmã te ofereceu, olhaste para trás, e de olhos nos meus olhos abriste um sorriso bestial. Só podemos tentar adivinhar o que te passou na cabeça, mas acredita que este momento ficará para sempre em mim.
Com um ano és absolutamente diferente da tua irmã, a única coisa em que são iguais é na rapidez com que quiseram andar e tu já andas bem, apesar de não te quereres aventurar a andar sozinha. Não és particularmente mariquinhas embora sejas mais mimalha que a tua irmã, mas não és de grandes aventuras, excepto quando te atiras da cama.
Vocalizas muito mas, talvez por não teres dentes (para além dessa coisinha que não tem pressa para crescer), não tens ainda vocábulos especificos. Mas não é por isso que não te entendemos. Também me parece que não tens grande pressa para falar porque toda a gente te entende mesmo sem palavras, e só quando estás mesmo aflita é que atiras um mamã.
Ainda assim estás sempre a palrar, e no carro cantas com o rádio. Na outra noite acordaste a meio da noite, e por acaso calhou a tua irmã ter um pesadelo e chorar no quarto ao lado. Ficaste aflita e fizeste aquele som de quem está a chamar e a perguntar ao mesmo tempo. Fui ter com a Mafalda e enquanto a acalmava ainda te ouvia a chamar por ela. Fiquei com as lágrimas nos olhos e apeteceu-me apertar-vos bem contra mim e ficar assim para sempre.
Começas a ter ciúmes da tua irmã (e não ao contrário!) embora ela não se aperceba porque está sempre nas excitações dela. Mas eu vejo a forma como tu a vais empurrando quando ela se vem agarrar a mim, e a tua expressão quando ela vem para o meu colo ou me abraça.
Para ti eu sou o teu mundo, e fazes questão de me mostrar que é assim. Continuas a ter a expressão mais doce quando te mimo, e quando te dou beijinhos fechas os olhos e sorris, sempre foi assim.
Não tens medo da água e achas graça ao chuveiro, tentas com as tuas mãos apanhar a água que sai tão direitinha de lá, mas por uma razão que tu não entendes, a água muda de forma e escorrega, e deixa rapidamente de ser como tu a vês.
Estás a deixar de ser bebé e vou dizer-te que isso me assusta um bocadinho, mas por outro lado, tenho muita curiosidade de te ver crescer, pela amostra vai bem valer a pena.

13 de novembro de 2011

4 anos

E assim se passam 4 anos desde que te vi, toquei e cheirei pela primeira vez. Estás grande e segura, és decidida e independente mas meiga como só tu sabes ser. És teimosa e persistente, o que me dá conta do juízo e me faz ralhar muito mas mesmo muito mais do que queria, embora tenha para mim que seres assim vai-te poupar muitos dissabores pela vida fora.
Este ano tiveste direito a 2 festas e pela primeira vez tiveste as tuas amigas cá em casa para brincarem contigo.
Ainda vais ter outra festa, uma muito grande com muita gente como tu gostas, mas só depois da tua irmã fazer anos.
Pela primeira vez este ano as tuas professoras queixaram-se de ti e da forma como tu lhes respondes quando te dizem para fazeres alguma coisa que não queres. Conversei contigo a sério, com alguma preocupação, e uns dias depois disseste-me que se a Vera falasse comigo diria que te portaste muito bem na escola. Fiquei mais descansada, mais não seja pelo facto de teres percebido que o teu comportamento não estava correcto.
Continuas a ser uma criança social e tudo parece girar à tua volta, desde os mais pequeninos aos maiores. Tens um magnetismo próprio e isso é por definição fascinante.
Este ano fiz-te um bolo de gelatina e disse-te que tinha escondido o arco iris dentro dele. Quando o viste ficaste siderada. O que me fez feliz. 
Para a tua festa com as amigas preparei-te um bolo de gomas que te deixou igualmente fora de ti, e fizeste qestão de dizer a todos que tinha sido eu a fazê-lo para ti. É bom sentir que estas pequenas coisas ainda têm sentido para ti, e que lhes dás valor nesse teu jeito de ser. Faz valer o trabalho que dá.

E por fim cantamos os parabéns no bolo de chocolate que fizeste questão de ter. Ainda nos falta uma festa mas o meu coração fica um bocadinho apertado só de pensar que para o ano já são 5...

28 de outubro de 2011

Ainda da Lua de Mel mas na versão portuguesa

Depois de regressarmos da Menorca estivemos dois dias em casa para matar as saudades das miúdas e depois apontámos a bussúla para o Alentejo. Somos os dois apaixonados pelo Altentejo, creio que em parte também por ligações familiares aquelas terras.
Fomos directos a Estremoz, onde ficámos no Monte dos Pensamentos, que é uma quinta de turismo rural muito calma e pacata, sem horários rigidos e com um jardim lindo, onde passamos parte das tardes. A piscina também é acolhedora embora estivesse já pouco quente para banhos.
After returning from Menorca we went home for 2 days to see the girls and them we headed to Alentejo region. We're both passionate of Altentejo, I think partly because we have family ancesters from there.
We went to Estremoz, where we stayed at Mount of Thoughts, which is very calm and quiet, with no set hours and a beautiful garden, where we spent part of the afternoon. 
No nosso quarto estava este quadro, um anuncio vintage das linhas Coats! Nem de propósito :) 
In hour bedroom we had this portrait of an old vintage Coats Thread add.
Aproveitamos estes ultimos dias para passear mais, visitamos Evoramonte, Vila Viçosa e Elvas. Não, não fomos a Badajoz mas estivemos perto, optamos por ir espreitar Olivença e ver a antiga ponte da Ajuda, e aprender um pouco mais da nossa história e da defesa da nossa fronteira.
De regresso fomos visitar Arraiolos, onde nunca tinha estado. Bonito é este monumento às bordadeiras dos tapetes de Arraiolos e aos tapetes que das suas mãos nascem.
In these last days we visit Evoramonte, Évora and Elvas. No, we cross the border to Spain but not to Badajoz instead we decided to to Olivença and see the old Help bridge (the bridje has the same name of the village where she used to be, in portuguese is Ajuda), and learn more about our history and defense of our borders and of our nation.
In the return we went to visit Arraiolos, I city where I have never been. Beautiful is this monument to the embroiderers of  Arraiolos needlepoint and to the rugs that are born of their hands.
Não estava de todo nos meus planos, essencialmente porque não sou pessoa de tapetes, nunca fui e continuo a ter péssima impressão sobre tapetes. E ainda menos porque, passar anos a bordar um tapete para que outros lhe ponham os pés sem respeito pelo trabalho que ali está, dá-me comichão no mau feitio... Mas não resisti mesmo e comprei não um tapete feito mas... adivinhem... um kit para fazer um tapete de arraiolos, um tapetinho... coisa pequenina... só tem 1,5x0,9m... pequenino... Mas vá, foi o marido que escolheu por isso tenho desculpa certo?
It wasn't on my plans but I end up Buying a kit to make an Arraiolos carpet for me. It's has all the meterial needed to make a carpet with 1,5x0,9meters. I know i have a lot of things to make but my this was choosen by my usband, so it makes it ok, right? 

26 de outubro de 2011

Teresa e os dentes

Quando fomos à consulta dos 5 meses da Teresa a pediatra, sábia e experiente disse que os dentes estavam quase a nascer.
Depois aos 6 meses ainda não havia dentes na boca da Teresa mas a pediatra disse que estavam mesmo quase a nascer.
Depois na consulta dos 7 meses continuava a não haver dentes no sorriso da Teresa e então a pediatra disse que para o mês de vem é que é.
Mas aos 8 meses continuava a não haver dentes na boca da Teresa.
Aos 9 meses fizemos gazeta e aparecemos lá aos 10 meses e claro, isto é mais fácil que ganhar o euromilhões, a pediatra disse, este mês é o mês certo.
Ainda assim falhou.
Foi mesmo aos 11 meses, a 22 dias de completar 1 ano que o primeiro dente deu ares da sua graça.
Estamos à 5 meses a assistir à Teresa a sofrer horrores com os dentes, a morder as coisas como se não houvesse amanhã, e a acordar assarapantada em choro aberto assim do nada. Se não fosse ela ter feito um raio X à cabeça aos 4 meses podia até pensar que ela não tinha mesmo dentes.
Estamos à quase 72 horas a dormir o minimo, porque desde que regressamos da Lua de Mel, no Domingo passado, e logo na véspera de retomarmos o trabalho, a Teresa não dorme uma noite completa e muito menos na cama dela.
Tem a boca que parece nem sei o quê, e conseguimos ver o relevo de todos os dentes por baixo da gengiva. Juro que até lhe vejo os caninos.
Tenho para mim que apesar do primeiro dente só ter aparecido aos 11 meses, quando chegarmos ao Natal ela já tem a dentição completa.
Pode ser que o menino Jesus me presenteie e recompense com uma noite bem dormida que já tenho saudades.

Teresas first tooth appared today. She is almost 1 year old but it's only now that they're poping out. She has been suffering with it ever since she was 5 months old and has been giving some pretty bad nights.
But hopefully they will pop out fast now and we can move foward with this pretty bad fase. We do need to get some sleep...

25 de outubro de 2011

De volta...

Olá a todos! Estou de volta mas agora, oficialmente, como mulher casada. Não que isso faça assim grande diferença, mas parece-me suficientemente importante para referir!
Deixei agendados os posts anteriores com algumas das coisas que fiz para o casamento, para não deixar o blog, e vocês todos, em suspenso durante a nossa Lua de Mel.
Sei que pela ordem normal das coisas deveria partilhar convosco primeiro o dia do casamento e só depois a Lua de Mel, mas como gosto de fazer as coisa ao contrário (e como ainda não tenho comigo as fotos do casamento) resolvi começar pelo fim.
O nosso primeiro destino foi a ilha Menorca, no arquipelago das Baleares, Espanha. Visitámos a maioria da ilha, fugimos de alguns sitios que não eram mais do que colmeias para alemães, e passámos um bom bocado. Essencialmente deu para por o sono em dia, e acreditem que nestes quase 4 anos foram menos de 7 noites aquelas em que não fui acordada por uma, ou pelas duas crias, e que dormi mais de 6 horas de seguida. Por isso dormir foi a grande excentricidade da viagem! Assim como não cozinhar e não ter absolutamente ninguém a chamar-me mãe ou a exigir a minha atenção.
Se tive saudades das miúdas? Muitas, mesmo muitas, mas portei-me bem. É claro que passamos parte do nosso tempo a falar delas e a aferir se os lugares onde estávamos eram ou não bons para irmos com elas.
A Menorca é uma ilha bonita que vive muito do Turismo, produz bastantes variedades de queijo de vaca, e tem uma industria de calçado com umas sandálias típicas, e de mobiliário que deriva dos cortumes das vacarias. Tem bastante actividade agricola, embora me tenha parecido que seria sobretudo de forragem e pastagem. Recentemente reiniciaram a viticultura e estão a produzir vinhos bastante bons, com particular insidência nas castas Syrah, Cabernet Souvignon e Chardonay, em monocasta ou combinados. Também tem vinhos brancos e rosés. Tem também exploração de pedra que me pareceu calcárica, que deu origem a um projecto muito interessante de recuperação das zonas já exploradas da pedreira e que vale a pena visitar, mesmo tendo que pagar.
Esta foto e as que se seguem foram tiradas lá. O espaço é muito engraçado e tem recantos verdadeiramente originais e surpreendentes. Além do mais o método de extração é completamente diferente do nosso, o que deixa na paisagem poços enormes no chão em vez de montes roídos.
Hello everyone! I'm back, officially, as a married woman. Not that it makes any difference, but it seems important enough to mention!
I left the previous posts scheduled with some of the things I did for the wedding, not to leave the blog, and you all in suspense during our honeymoon.
I know that by the normal order of things I should share with you my wedding day first and then the honeymoon, but I like to do things in reverse order (Ok, I don't have the wedding photos with me!) I decided to start at the end.
Our first destination was the island Menorca in the Balearic archipelago, in Spain. We visited most of the island, fled from some sites that were like hives for Germans, and spent a good time. Essentially I got to sleep, and believe me, it has been almost 4 years since i slept an intire night, in which I was not awakened by one or by the two of the girls, and I haven't slept more than six hours afterwards. So sleep was the high eccentricity of the trip! So was not to cook and have absolutely no one to call me mom or requiring my attention.
If I miss the girls? A lot but I behaved well. Of course we spent most of our time talking about them and assess whether the places we visited where children friendly to visit with them.
Menorca  is a beautiful island that lives of tourism, produces plenty of varieties of cheese from cows, and produces a typical form of footwear, and furniture that is derived from the tanneries of herding. There's plenty of agricultural activity, even though I thik most is forage and pasture. Recently they've restarted viticulture and wine production, with very good wines, made most with the castes Syrah, Cabernet Souvignon and Chardonnay. It also has white and rose wines. And also a stone exploration seemed to me like calcareous stone, which gave rise to a very interesting project for rehabilitation of the areas already explored in the quarry and that are worth visiting, even though we have to pay.
This photo and the following were taken there. Space is very funny and has truly unique and surprising places. Besides the extraction method is completely different from the portuguese way, which makes huge pits in the ground instead of gnawed hills (as ours).
Eu num banco muito ao estilo Patchwork:
I set at a Patchwork bench:
Esta figura é uma imagem de marca da Pedreira e representa um homem, numa forma deixada para trás. É enorme, embora na foto não se tenha bem a noção de escala.
This figure is a trademark of the quarry and represents a man. It's huge, but from the picture we don't have the notion of scale.
 Um dos poços da pedreira tem um labirinto, construido com os blocos de pedra, tal e qual eles são extraídos. Este é um verdadeiro labirinto, ao estilo da alice no país das maravilhas, e embora as pedras só nos cheguem um pouco acima do joelho, não é assim tão fácil dar com o caminho. Eu tive ajuda, já que o marido (soa bem, não soa?) estava uns metros acima a dizer-me por onde ir!
One of the wells of the quarry has a maze, built with stone blocks, just like they are extracted. This is a real labyrinth, in the style of Alice in Wonderland, and although the stones come in only a little above the knee, is not so easy to find the way. I had help since my husband (sounds good, does not it?) was a few meters above to tell me where to go!

Aqui é o outro poço. Parece-me que este é o maior deles. Dá para ver bem o tamanho impressionante da estrutura e a profundidade a que estávamos. É claro que aqui dentro o calor deu umas tréguas. Estava-se tão bem que nem apetecia sair de lá.
Here is another well. It seems to me that this is the largest. You can see the impressive size and the structure and depth where we were. Of course, in here the heat gave us a break.
E falando em tempo, para quem foi de lua de mel em cima da mudança da quinzena de Outubro, só tenho a dizer que tivemos muita sorte com o tempo, embora não tenhamos tido do outro tempo para irmos a banhos, porque só estivemos por lá 3 dias completos, já que o primeiro dia foi passado em viagem e o ultimo também.
Ainda assim ver o mediterrâneo é só por si uma coisa romântica, embora por aqui gostem de lhe chamar o mar das Baleares. O azul da água é muito diferente do nosso atlântico e a água mais quente, embora em Outubro já não fosse tão quente como em Agosto.
And speaking of the weather we were very lucky with it, although we have not had time to stay in the beach, because we only had 3 full days here.
A zona norte da ilha tem praias pequenas que resultam de enseadas recortadas nas falésias, a areia é fina e branca e convidam a uma pausa zen!
The north of the island has beaches in small coves cut into the cliffs, the sand is fine and white!

Os recortes são profundos e a costa é muito irregular, o que forma enseadas abrigadas do vento e das correntes, tornado-as particularmente agradáveis.
The cuts ain the coast are deep and very irregular, forming coves sheltered from the wind and currents, making them particularly pleasant.

Ao sul é diferente. As plataformas continentais estão a descoberto, o que faz com que existam menos praias e mais pequenas já que a areia é muito pouca, mas igualmente branca e fina. É mais turistica no sentido de ter imensas localidades exclusivamente constituidas de apartamentos, apartoteis e hoteis, sem uma única habitação caracteristica.
In the south things are different. Continental shelves are bare, which means that there are fewer and smaller beaches since there is almosta no sand, but still white and fine. And it more like a tourists area with many locations consisting exclusively of apartments, aparthotels and hotels, without a single household feature.

A ilha tem duas cidades grandes, a capital económica Maó e a "capital turistica" Cuitadella. A minha preferida foi Es Mercadal, por me lembrar tanto do nosso Alentejo, por ter pessoas hospitaleiras, e por se comer lindamente, o que para nós Portugueses só por si é um factor determinante!  
The island has two major cities, the economic capital Mahon and the "tourist capital" Cuitadella. My favorite was Es Mercadal, for reminding me so much of our Alentejo, having hospitable people, and a great place to eat good, which for us Portuguese itself is a major factor!
Aqui podem ver as vistas de Maó. Mahon site seeing.
E aqui as de Ciutadella. Ciutadella site seeing.
Alguns dos pontos históricos de interesse são a Torre de Fornells e o farol, para além das pedreiras que já vos mostrei. Existem muitos museus e muita coisa para visitar, mas como culturalmente não estamos muito distantes dos espanhóis e como uma parte significativa da história hispanhola é também portuguesa, fugimos destas "atrações" especialmente as relacionadas com eventos militares. É que quando não andavamos à guerra contra os espanhóis andávamos à guerra com os espanhóis e vai daí que parece que é tudo mais ou menos a mesma coisa.
Some of the historical points of interest are the Tower of Fornells and the lighthouse, beyond the quarries already shown. There are many museums and a lot to visit, but we the portuguese people, are not culturally distant from the Spanish, and a significant part of the Spanish history is also Portuguese history, so these "attractions" especially those related to military events didn't cought our attention. When the portuguese people weren't fighting the spaninh people, they were fighting side by side with the spanish people, so it's more or less the same thing.

Aqui a Torre de Fornells. The Fornells Tower.
Aqui o farol de Cavelleria. The Cavalleria Lighthouse
Existem também muitas grutas, a maioria delas acessiveis só de barco. Existe muita oferta de cruzeiros e outras actividades, como os passeios de cavalo ou as corridas de karts.
Para além do património histórico e cultural, que é muito e muito interessante, a Menorca tem também um património natural que é classificado pela UNESCO.
Finda a visita à Menorca, aqui fica o balanço:
Coisas que fiz pela primeira vez: andar de avião (não, não tive medo) e ver e sentir o mediterrâneo. Faltam-me mais 5 oceanos para conhecer!
Coisas que fiz pela segunda vez: passar uma noite com o V. sem crias (a noite de núpcias não conta!) e estar numa ilha (a primeira foi a Berlenga)
Coisas muito boas da viagem: banhar o pés no meditterrâneo e dormir.
Coisas engraçadas para recordar: as 5 horas que passamos no aeroporto de Barcelona à espera do voo para a Menorca, e as expressões do V sempre que eu me dirigia às pessoas (note-se espanhóis) em português, sem fazer a mais pequena inflexão na pronuncia nem sequer tentar o portugol, o que nos valeu um tratamento absolutamente preveligiado entre a comunidade de nuetros hermanos especialmente entre os galegos que encontramos no caminho.
Oportunidades maiores: estarmos só os dois pela segunda vez desde que começamos a namorar.
Coisas menos boas: as saudades das miúdas. 

There are also many caves, most of them accessible only by boat. There is a lot cruises and other activities such as horse riding or racing karts.

In addition to the historical and cultural heritage, which is many and very interesting, Menorca also has a natural heritage that is classified by UNESCO.
After my visit to Menorca, here's my balance:
Things I did for the first time: Travel by plain (no, I wasn't  afraid) and see and feel the Mediterranean Sea. I still have 5 more oceans to see!
Things I did the second tim: spend a night alone with V. with no kids (the wedding night does not count!) and being on an island (the first was the portuguese Berlengas)
Very good things of the trip: bathe the feet in meditterranean sea and sleep a lot.
Funny things to remember: the 5 hours we spent at Barcelona airport waiting for flight to Menorca, and the expressions of V whenever I insisted in talking in Portuguese with the spanish people, without the slightest inflection in the  pronounce, which earned us an absolutely Preveligied treatment within the community of "nuetros hermanos" especially among the ones from Galicia with whom we meet on the hotel.
Greater opportunities: to be with each other, alone, kids free, for the very second time since we started dating.
Things not so good: the distance from the girls.
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