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4 de julho de 2011

Do velho se faz novo...

Podia ser um post sobre reutilização mas não é. É um post de opinião. Da minha opinião. E parte daqui. Vale a pena ler, embora não traga quase nada de novo pelo menos faz-nos pensar.
Eu não acredito da igualdade dos sexos. Ninguém me convence que é possivel atingir essa igualdade. Os géneros são diferentes, e a diferença começa na biologia, no próprio código genético.
Homens e Mulheres são semelhantes mas não iguais. Biologicamente estão predispostos a capacidades diferentes, têm metabolismos diferentes, a forma como o cérebro funciona é diferente. Igual só mesmo o facto de termos um corpo constituido por cabeça, tronco e membros, e pescoço para os mais exigentes.
E se a biologia é, por si só, suficiente para fazer a diferença entre sexos, ainda mais o é a educação.
Eu fui educada para fazer tudo. Talvez por ser a terceira filha dos meus pais, não padeci da educação dita "tipica" de rapariga, até porque o meu pai sempre fez questão de nos ensinar tudo, por igual, independentemente de sermos filhos homens ou mulheres. Foi o meu pai que nos meus 12 anos me ensinou a usar uma espingarda de caça submarina e me deixou partir livremente com ela para o mar, foi o meu pai que nos pôs um rolo e um tabuleiro de tinta nas mãos para pintarmos a casa, foi o meu pai que nos ensinou a entrarmos e a saírmos do mar sem perigo, e poucas pessoas tiveram a sorte de serem bem treinadas nas águas das praias do Meco em dias de bandeira vermelha.
Por ser a terceira, não posso dizer que tenha sentido uma grande diferença entre a minha educação e a do meu irmão. Excepto no que respeita à convivência com o sexo oposto e por razões culturais que embora tenham a minha discordância, considero aceitáveis dada a educação que eles próprios tiveram.
Por outro lado, a minha educação foi fortemente marcada pela presença quotidiana da minha avó, que, bem ao estilo do inicio do século XX, sempre se esforçou para que tanto eu como a minha irmã fossemos, no futuro, donas de casa exemplares, e de facto aprendemos a fazer tudo, embora na verdade pouco ou nada tivessemos que fazer em casa. Já o meu irmão foi resguardado, porque homem não limpa, não cose botão, não cozinha.
Apesar de ter nascido nos finalmentes da década de 70, conheci poucos (mesmo muito poucos) homens que tivessem sido educados para uma vida a dois baseada na igualdade entre géneros, que estivessem prontos para desenrascar uma refeição sofrivel, que soubessem pegar num ferro de engomar sem medo e não demorassem 20 minutos a engomar uma camisa, que soubessem mudar uma cama de lavado sem terem de estudar quantos ângulos tem a cama...
E existe uma outra variável na questão da igualdade de géneros num agregado familiar, que quanto a mim faz toda a diferença, que é nada mais do que a existência ou não de filhos e a quantidade deles.
Até porque os niveis de cansaço e a respectiva intolerância às desigualdades são, quanto a mim, directamente proporcionais ao numero de filhos que um casal tem a seu cargo.
Há quem defenda que o Homo sapiens enquanto espécie animal, evoluiu de tal maneira que perdeu os seus instintos. A mim parece-me que o que se perdeu foi a capacidade de reconhecer nalguns comportamentos,  reacções "irracionais" de instinto. Basta ver que o conceito de "casa" é interiorizado de forma diferente pelos dois géneros. Para os homens, basta que seja um abrigo para passar a noite longe das intempéries e dos predadores, interessa que seja de estrutura robusta e pouco mais. Já para as Mulheres a casa é o ninho, tem que servir uma série de propósitos e inconscientemente tem de servir o propósito de ser indicado para assegurar a segurança e protecção das crias, tem de ser confortável, ter espaço em quantidade suficiente, ser termicamente adequado e ventilado, tem de forrar chão e paredes para que fique tudo macio e suave, enfim... as analogias são infinitas.
Quantos homens é que vocês conhecem que, dentro da própria casa, não sabem em que lugar está guardado uma determinada coisa, nem tem de ser nada demasiado sofisticado, por exemplo em que armário estão arrumados os guardanapos, ou a roupa das crianças, ou as toalhas de por na mesa?!
Quantas de vocês já ouviram pedir a uma homem que vista uma criança e o resultado é de fugir. Não falo pela questão estética mas pela questão funcional. Nunca vos apareceu uma criança vestida para a cama com um pijama de meia estação quando a noite está é para manguinha curta e calções?!
E quantas vezes é que ouviram pedir uma coisa especifica e no máximo, 30 segundos depois, o homem perguntar em que sitio é que isso está, ou porque não sabe ou porque não está a ver.
Estas e outras situações são que baste para levar muitas de nós ao desespero, especialmente as que aspiram a uma divisão de tarefas equilibradas dentro do agregado familiar.
A própria questão da parentalidade é assimétrica e com papeis tão entranhados na biologia e na cultura que só ajuda a que a "igualdade" se torne cada vez mais um ideal utópico. Porque os recém nascidos são pequeninos e metem medo, podem-se partir, escorregam no banho, não se acalmam ao colo do pai, choram muito... Depois crescem e querem a mãe para tudo, estão sempre na cama dos pais, as noites que se dormem incompletas (quando se dormem) as vezes que se levantam, porque o sono dos Homens é sagrado e o de nós, mulheres e mães é sacrificável, porque a escola também não fica em caminho para o trabalho e têm de chegar a horas ao trabalho, porque o trabalho deles é sempre tão mais importante que o nosso, nós que lutamos a cada dia que passa pela tão amplamente discutida flexibilização e que nos esforçamos tanto para estar em todo o lado ao mesmo tempo, que chegamos atrasadas, que trabalhamos o trabalho de dois dias num dia só para podermos sair do trabalho a horas de irmos novamente à escola que não lhes fica em caminho. Já para não falar das idas ao médico que calham sempre tão mal, que podiam sempre ser a uma hora melhor, que desse mais jeito (embora nem eles saibam que hora é essa), enfim... podia estar aqui para sempre.
Eu percebo e sou até simpatizante desta causa igualitária entre géneros, que nasceu dessas grandes mulheres sufragistas que tanto mudaram as sociedades ocidentais. Que lutaram pelo direito de trabalharem em moldes iguais aos homens, que lutaram pelo direito de vestir o que bem lhes apetece, de beber e fumar, de viajar e de gastar o seu dinheiro onde e como bem o entenderem, que lutaram pelo direito ao voto entre tantos outros direitos. Que se cansaram de mudar o papel social da mulher, mas que se esqueceram que também o papel social do homem tinha de ser mudado, e não como consequência mais ou menos directa da mudança das mulheres.
E essa mudança social do papel do Homem já devia ter começado, e acredito mesmo que sim, embora com pouca expressão. Apesar de tudo parece que há quem tenha essa "igualdade" embora sejam, tanto quanto eu conheço, poucos.
E creio que passa um pouco por todos na educação que damos aos nossos filhos e às nossas filhas. Porque embora nos seja impossivel alterar a nossa biologia, podemos sempre alterar a forma como culturalmente nos identificamos.
Resta-me esperar que haja por aí mães de meninos em quantidade a educá-los para um futuro a dois baseado na partilha de responsabilidades (e não na divisão de tarefas), na parentalidade tal como a sonharam, integralmente e a dois, e no comprometimento mutuo por uma existência em familia, para que as minhas filhas possam conhecer essa vida a dois que esta geração ainda sonha conquistar.
Resta-me também esperar que as mães de meninas quebrem o estigma dos contos de fadas e dos principes encantados, porque somos só mulheres, com o tanto que isso implica e o que a vida nos dará é simplesmente um homem, com tudo o que de bom tem e com tudo o que de mau tem. Eduquemos também as nossas filhas com expectativas de futuro razoáveis.
Podemos já não ir a tempo de mudar a sociedade para nós, mas o futuro são também eles e por eles vale certamente a pena.

29 de junho de 2011

Da Transição e sua madrinha Instabilidade

Não gosto de coisas de transição. Nunca gostei. Nunca tive relações de transição, nem nunca me permiti estar em transição para o que quer que seja, não fiz periodos de transição com a entrada da Mafalda na escola nem com a Teresa na avó.
Gosto de mudanças, isso gosto. Gosto de mudanças que se fazem com o passo firme ainda que com alguma desconfiança do que nos espera mais à frente. Acredito que só a mudança tem força para nos mudar com o empenho que a própria mudança implica.
E ando desconfortável porque o país está mais do que em mudança, em transição. Estamos algures no meio do caminho entre cá e lá, entre o antes e o depois e não chegamos a lado nenhum.
Não gosto. E tenho muita dificuldade em me gerir assim.
A começar pelo trabalho. Já começo a ter alguma dificuldade em lidar com a histeria quase colectiva que se instalou e que parece ser cada vez mais alimentada por todos.
Não sou funcionária pública mas sou funcionária de uma empresa participada pelo estado. Mais, uma empresa em que o único accionista é o estado. E se já era mau termos por cá os senhores da troika a ensinar-nos o padre nosso, ainda pior é ter um conselho de administração que está de saída, já que o senhor Paços Coelho convenceu a maioria do eleitorado português.
Não sei trabalhar assim. Esta cultura portuguesa de esperar para ver e depois decidir leva-me ao limiar da loucura. E se por um lado é a própria administração a dizer que mantem-se em funções (activas) até ao fim, por outro parece que os directores não levam isto a sério e adoptam uma postura de "sim senhor" mas por trás adoptam a outra de "é melhor esperar para ver".
Acontece que eu preciso que alguém (de preferência alguém que seja bem pago para isso) tome decisões. O meu trabalho depende disso. E ao que parece estamos na fase da moeda, de um lado temos a cara e do outro temos a coroa. E preciso comprometimento de todas as partes, e como é sabido vivemos tempos em que achar alguém que se queira comprometer é ainda mais dificil do que encontrar Nª Srª de Fátima num Domingo no cimo de um monte.
Depois de uma semana (quase non-stop) reunida com o Conselho de Administração e com os Directores só me vem à cabeça que preciso de gritar.
E eu que até sou uma tipa calma dei por mim a ter de levantar a voz (só um bocadinho :-)) para o meu Director e para o Sr. Presidente do Conselho de Administração.
Os tempos são dificeis, é certo que sim. Mas se é para levarmos todos a paulada, para quê tanto secretismo com esta coisa das medidas de austeridade? Será que a primeira medida de austeridade passa pelo terrorismo emocional dos cidadãos? Seremos nós mais produtivos na dúvida e na incerteza? Encontraremos nós mais motivações para realizarmos as nossas tarefas com todo o nosso potencial por sermos hora sim hora sim assediados com a bandeirola da austeridade.
É sabido que é necessário cortar despesa. Bato palmas, já o deviamos ter feito à muito tempo e se me tivessem ouvido, da minha parte a empresa tinha poupado uns milhares de euros. Se resolvia? não, mas também não prejudicava. Até aqui a coisa tem sido pacifica, reduzimos os consumos, reduzimos aqui, reduzimos ali, reduzimos onde podemos até chegar a tal ordem da medida XPTO do Plano de austeridade do governo com a adenda XYZ do plano da troika, e chegarmos de vez ao corte de projectos e de despesas com o pessoal.
Mas até chegarmos lá eu preciso que por aqui se continue a trabalhar no hoje, aqui e agora.
Por isso digo que não gosto de transição. Preferia mil vezes ter já a nova administração e lidar com ela do que continuar neste sistema. Até porque já não consigo mais ouvir alguém a dizer-me: "bem... isso vamos ter de esperar para ver..."
Troca-se período de transição e incerteza por período de mudança e confiança. Alguém tem?

5 de maio de 2010

Carta aberta a uma amiga

Sei que quando me leres vais saber que o que aqui escrevo é para ti. Sei porque nos une um laço, mais forte até do que nós, um laço que criamos antes do tempo ter este sentido, um laço de palavras soltas e pensamentos nossos e verdadeiros.
Sinto a tua angústia de uma forma que me é impossivel explicar. Talvez porque sou assim... O sofrimento dos que amo é o meu sofrimento também. Estou solidária contigo no teu sentimento de impotência. Eu também o sou.
Queria ter as palavras certas e o poder de transformar o errado em certo e o mau em bom, de poder cobrar a quem te cobrou a mesma moeda e mais os juros. Queria desenhar um mapa na areia, cheio de lugares e pessoas interessantes e depois desenhar uma linha a passar por tudo o que de bom lá existisse. Essa linha seria a tua vida.
Mas não posso... Só sou eu aqui. Eu e todas as minhas limitações. Eu, Mariana, humana, limitada no tempo e no espaço e na capacidade de agir e mudar o que não está bem para ti. Sou eu nesta minha condição de não deus.
Ainda assim gostava de te dizer as coisas que aprendi quando o meu caminho ainda era parecido com o teu, quando também eu estava num lugar semelhante, confusa e perdida.
Gostava de te dizer que ninguém É feliz. A felicidade não é um lugar que se atinge, não é um sitio onde se chega para ficar. A felicidade é um instante, é um minuto nos braços de alguém que amas, é o calor de um beijo, o sorriso de uma criança, o doce de um chocolate, uma caricia e o colo da tua mãe. A felicidade é aquele instante que é e que foi e que passou, mas que ao passar deu sentido ao teu dia, e te deu força e coragem para seguires em frente e continuares a acordar a cada dia que passa. Isto é a felicidade.
E este instantes de felicidade serão tantos mais quanto melhor te conheceres e aceitares. E só depois de seres feliz em ti, depois de te conheceres e de te compreenderes até ao limite, depois de te aceitares e de escolheres por ti o que queres por ti, só depois de tudo isto é que quem está a tua volta te compreende. Ninguém te pode compreender, aceitar, amar, e muito menos adivinhar, se estas mensagens não forem em ti transparentes. Lembra-te sempre que é verdade que os outros nos leêm mas se nós não escrevemos bem o texto e se não deixamos a mensagem clara, ninguém nos vai entender nunca. Primeiro em ti e depois nos outros.
Aprende quem tu és e o que tu queres para ti, e não tenhas medo nunca se te parecer que está tudo longe demais, ou que do sitio onde estás nunca mais lá vais conseguir chegar. Acredita em ti. Enquanto acreditares em ti o mundo pode acreditar também. No dia em que deixares de o fazer estarás certamente condenada ao fracasso.
E nunca desistas de nada, caminha o suficiente para decidires continuar ou parar sem que isso seja uma desistência. Ás vezes (muitas!) acabamos por fazer um caminho que depois percebemos que está errado. Voltar para trás e mudar de caminho não é desistir! É crescer e aprender que a escolha que fizemos não foi boa e com o que aprendemos escolhemos outro caminho e seguimos em frente.
Não faz mal pensar em desistir, só nos dá força para continuar e todos nós já tivemos vontade de baixar os braços muitas vezes na vida, e embora por vezes pareça que o fizemos, a verdade é que estavamos apenas a ganhar força para continuar.
E chora sempre que quiseres. Chorar alivia a alma e aclara a mente. Pudesse eu ainda ter essas lágrimas e choraria de alegria! Chora o tempo necessário para que a clareza de espirito venha a ti e o teu eu mais profundo te diga qual é o passo que deves dar a seguir.
E nunca, mas nunca cometas o erro de ter pena de ti. Não há nada de errado em ti que te torne inferior aos demais. Se a vida te deu isto para viver é porque sabe que tens força e determinação para ultrapassares todos os obstáculos, embora às vezes isso te pareça impossível.
Ah! quase que me esquecia do mais importante. Se queres mudar o que te rodeia tens de começar por mudar aquilo que TU és com o que te rodeia. Não adianta de nada mudar o mundo à tua volta se a tua postura perante essas mesmas coisas se mantiver. Basta pensares numa relação acabada. O que verdadeiramente muda é a forma como uma, ou mesmo as duas pessoas, está perante aquela mesma relação e realidade que os uniu. Não foi a realidade em si que mudou, apenas a forma como cada um se coloca perante a mesma.
Não tenho pretenções a conseguir com esta carta mudar a tua vida e corrigir todos os males em bens. Tenho pretenções sim, a que esta carte te ilumine um pouco a escuridão, e que acalme a tua dor o suficiente para perceberes que não estás sozinha, e que de alguma forma te dê um pouco de paz e de força para continuares em frente. Ainda que em frente seja mais do mesmo.
Pensa nisto.
I know when you read this you'll know I'm writting for you. I know because we are binded by a loop stronger than us, a loop of true words and true thoughts.
I feel your angst in a way that is impossible to me to explain. Maybe because I'm like this ... The suffering of the ones i love is my pain too. I am solidary with you in your powerlessness. I feel the same.
Wish I had the right words and the power to turn the wrong into right and bad to good,  I want to draw a map in the sand, full of interesting people and places and then draw a line going through all that good things. This line would be your life.
But I can not ... I'm just here. Me and all my limitations. I, Mariana, human, limited in time and space and the in the ability to act and change what is not right for you. It's just me and my condition of human.
Still, i want to tell you this things I learned when my way was still similar to yours, when I too was in a similar place, confused and lost.
I  want to tell you that nobody is happy. Happiness is not a place that can be reached,  it's not a place where one gets to stay. Happiness is a moment is a minute in the arms of someone you love, is the heat of a kiss, the smile of a child, a sweet chocolate, a caress, and your mother's lap. Happiness is that moment that is and that was and now it's gone, but it was enought to give sense to your day, and to give you strength and courage to go right ahead and continue to wake up every day. This is happiness.
And this moment of happiness will be as much as you lern to know you and accept who you are. And when you get to be happy in you, after knowing yourself and understand yourself to the limit, once you accep who you are and lern to choose the best for yourself  and to choose all the things what you wish for you, only after all this you can expect the other to understand you . Nobody can understand you, accept you, love you, or guess who you are, if all your messages are not transparent in you.
Always remember that it is true that others read us but if we do not write well the text and do not leave a clear message, no one will ever understand. First you make yourself clear to you and then to others.
Learn who you are and what you want for yourself and not be afraid if things appear to bee too far froms you, out of reach, or that you are never going to make it there. Believe in yourself. If tou believe in you so will the world.
And never give up anything, walk far enough to decide to continue or stop without this being a withdrawal.  Sometimes (many!) we all end up doing a journey that we end up realizing that is wrong. Go back and change your path and don't give up! You'll grow up and learn that the choice you made was not good and you'll learned to chose a different path and move on.
It's okay to think about quitting, only gives you strength to continue, we all lowered our arms at some point in life, and although sometimes it seems that we were quitting, the truth is we were only gaining strength to continue.
And cry whenever you want. Crying relieves the soul and clears the mind. Could I still have those tears and i would cry with joy! Cry enought for your mind to get clear and to let your deeper self came to you and tell you what step you should take next.
And never, never make the mistake of feeling sorry for you. There is nothing wrong with you that makes you inferior to the others. If life gave you this to live is because she knows that you have strength and determination to overcome all obstacles, although sometimes it seems impossible you.
Ah! I almost forgot the most important. If you want to change the world around you have to start by changing what YOU are with what surrounds you. There is no point in changing the world around you if your attitude towards those things is the same. Just think about it as a ended relationship. What really changes is how one or even two people are facing that same reality and the bound that united them. It was not the reality itself that has changed, just how each one stands before it.
I have no pretensions to achieve with this letter a major change in your life and fix all the ills in assets. I do have the pretension to bring somo light trought your darkness, and soothe your pain enough to make you realize that you're not alone, and to somehow give you a little peace and strength to make you walk your path. 
Think about this.

5 de março de 2010

Dos pais

Aldo Naouri é um pediatra libio-francês. Não o conhecia até hoje. Hoje o meu chefe reenviou-me um mail com uma entrevista que a jornalista Catarina Fonseca fez a este senhor e que foi publicada na Revista Activa no dia 10 de fevereiro. A entrevista pode ser lida aqui e para quem se depara com a educação das crianças, e para quem não se quer demitir do papel educativo de pai e mãe, é de leitura obrigatória.
O tema tem sido amplamente discutido. Eu tenho lido várias opiniões e tenho assistido à triste realidade de pais que se demitiram do seu papel. Lamentavelmente não é de agora. Conheço uns quantos adultos-crianças que foram criados por pais demitidos e o resultado não podia ter sido pior. Pelo que vejo a tendência está a agravar-se.
E não quero ser uma mãe demitida dessa responsabilidade. Quero criar a minha filha, mas acima de tudo quero educá-la para ser uma adulta feliz mas responsável, independente mas equilibrada. E parece-me que é na diferença entre os conceitos criar e educar que reside grande parte dos mal entendidos que potenciam o desinteresse dos pais e a facilidade com que se demitem. Quando a Mafalda nasceu, por força das circunstâncias, passei alguns periodos por terras da Serra da Estrela, e para meu grande espanto, e de certa forma choque, todas as pessoas me desejavam "boa criação". Claro que é uma expressão popular e não quero com isto dizer que todas essas pessoas fossem ou viessem a ser pais demitidos. Mas para mim a criação são as galinhas e os patos, os coelhos, as ovelhas e as cabras, vacas e afins. Faz-se criação de muita coisa, de aves domésticas, de aves exóticas em cativeiro, de ovideos, de bovinos e suinos, até de caracóis. Mas as pessoas educam-se, e desde que nascem.
O que eu quero é evidênciar que nem sempre o conceito de educar está presente no quotidiano das pessoas. É claro que é importante alimentar, vestir e calçar, assegurar os cuidados de saúde e mantê-los em segurança. Mas é tão ou mais importante olhar para as crianças e não as ver como seres instantâneos em que satisfazer as necessidades do presente basta para garantir a sua sobrevivência. Se não existir um verdadeiro compromisso em educar, em ensiná-los a obedecer e a respeitar, a ensiná-los a hierarquia da vida e as regras e os limites, se não os responsabilizarmos pelas coisas de que são responsáveis, se não os ensinarmos a agir e a pensar por eles mas com respeito também por eles e pelos que os rodeiam, então estaremos a falhar como pais e a contribuir para mais uma geração de adultos-crianças. Frustrados e inseguros, irresponsáveis até ao limite, incapazes de assumirem as responsabilidades pelos seus actos, incapazes de acertar com o rumo que querem dar às suas vidas, sem objectivos nem ambições que não sejam as de satisfazer os seus caprichos imediatos, que choram como bebés quando não têm aquilo que querem e ainda assim são incapazes de lutar pelo que querem porque acham que têm direitos adquiridos e que as coisas lhes caem do céu, e que tudo o que têm de fazer na vida é ficar sentados á espera que aconteça ou que alguém lhes venha trazer as coisas numa bandeja.
E isto não é o que eu quero para a Mafalda, nem para os que vierem a seguir. Mas sei que nem sempre é facil ser autoritário e ralhar e ensinar comportamentos. E sei também que todas as idades têm o seu charme e os seus desafios. E sei também que os"terriveis dois" me estão a dar água pelas barbas, e que por vezes me é dificil manter o equilibrio e não ceder, e continuar não demitida no meu papel de mãe.
E é por tudo isto que, depois de ler a tal entrevista, encomendei o livro e me proponho a ler o que este senhor tem a dizer a pais que não se querem demitir mas que por vezes também ficam sem saber como não o fazer.
Para quem estiver interessado encomendei aqui.

A long post to say i found this book from a libian-french pediatrician after reading an enterview published in a portuguese magazine, e-mailed to me by my chief.
It's about children education and the urgent need to bring back active parents and their authority.
It's raising different points of view as he deffends a vertical family stucture with parents on top. Seems to obvious, doens't it? But how many families do you know where the rules are made by children and not by parents? See... Too many right?
The book is translated in several languages so if you have children to educate you should give it a look.  

10 de julho de 2009

Reflexão, Desabafo ou então Espécie de Descarga de Consciencia

Por rotina este é um dos blogs que leio regularmente. Geralmente serve-me de inspiração e faz-me sonhar com uma vida que dificilmente será a minha. Hoje fez-me pensar em algo que me acompanha aqui dentro há já algum tempo. Por isso, vão ter de me desculpar a introspecção mas hoje vai ter mesmo de ser. Se aqui escrevesse Pedro Paixão intitulava este post como "palavras de mim para mim passando inutilmente por ti". Estou certa de que o faria.
Desde que iniciei este blog que me surpreendo com o número cada vez crescente de visitas que vou tendo. E precebo o mecanismo porque me aconteceu o mesmo com outros blogs. Primeiro vamos ver ideias de coisas que queremos fazer, outros trabalhos e técnicas de outras pessoas. Depois dos trabalhos acabamos por criar empatia com essas pessoas, com a vida delas, com os pormenores, com o pouco que conhecemos delas mas com o qual nos conseguimos identificar bastante. E acabamos por ler os blogs com regularidade, quase como se estivessemos a ler o diário de alguém.
Mas a vida não é só Quilts, panos, agulhas e linhas, tintas, pincéis, madeiras e bordados. Por detrás de cada uma de nós existe uma pessoa real. Não vou generalizar. Por detrás de tudo o que aqui escrevo existe uma pessoa real, com uma vida real, feita de momentos bons e momentos maus, com dificuldades que precisam de ser vencidas e obstáculos que precisam de ser transpostos, e muitas vezes parece que a força foge. Existe uma rotina que limita tudo, que obriga ao cumprimento de horários e metas e que deixa pouco espaço para o que é bom de viver. E nem sempre as coisas correm como eu quero ou como eu idealizo. Por vezes saio exausta do trabalho e vou a caminho da escola da Mafalda e só penso em chegar a casa e brincar com ela para descomprimir do dia, mas ela nem sempre vem bem disposta, e aturar uma criança de 20 meses em birra permenete durante 3 horas, depois de um dia de trabalho não é fácil.
Ás vezes apetece-me fugir, fechar a porta atrás de mim, 10 minutos só. O silencio ainda que por momentos... Apetece-me poder ser só eu, como nunca fui, porque não sou uma ilha e nunca conheci ninguém que o fosse. Apetece-me mudar tudo. Construir a minha vida do inicio, difrerente.. E se.... eu tivesse mais dinheiro e trabalhasse menos e dormisse mais e podesse viajar e mostar o mundo sem limitações à minha filha (e a mim!), se podesse brincar horas a fio e dormir o equivalente se houvesse tempo para tudo (e não há!) e tudo tivesse uma hora e um lugar... se... se eu podesse esquecer a palavra depressão que tanto esforço faço para não me lembrar.
Depois venho a mim, é inevitável. Não hà ses nem mas. Existe uma vida tal como é. E o meu grande desafio é vivê-la com os recursos (humanos, materiais e temporais) que tenho. E o tempo é o que fazemos dele e a capacidade que temos de gerir as nossas rotinas determina até onde é que criamos espaço para nós.
Gosto de fazer tudo o que faço mas admito que grande parte das vezes o efeito é terapeutico. Porque me leva para longe daqui, porque me obriga a não pensar, ou melhor a pensar noutras coisas, mais coloridas e agradáveis, porque me faz sentir bem comigo mesma ver qualquer coisa terminada, encerrada, sem necessidade de continuidade. Ao contrário de grande parte da minha vida.
E mostro o que de melhor faço e o que de melhor me acontece sem revelar preocupações reais e mundanas. Porquê? Talvez por respeito, por consideração, por achar que todas as existências têm já sombra suficiente, por querer ser um bocadinho de luz, como tantas outras blogueiras são para mim, por me orgulhar das coisas que faço e por as querer partilhar como coisas boas que são, e por saber que sou uma estrela no firmamento, e que como eu há mais por aí, que escrevem pelas mesmas razões, e que precisam de pegar numa agulha, seja ela de coser, de bordar de tricot ou de crochet, para fugir um bocadinho e cultivar por momentos um canteirinho de rosas frescas e perfumadas sob a luz de uma manhã calma e quente.
Por isso fica desde já implicito que por muito bonitas e perfumadas e coloridas que as minhas rosas sejam elas têm e terão sempre espinhos.
Estou certa que as vossas também têm, apesar de todo o seu explendor.

24 de abril de 2009

Ainda a maternidade...



Para ler, reler, reflectir, interiorizar...

...e depois rotinizar :)


que é como quem diz, aplicar naturalmente como forma de estar e pensar.

Faz todo o sentido.











Esta foto é de Rineke Dijkstra, Julie, Den Haag, Netherlands, February 29 1994, 1994

Permite várias reflexões... A mim lembra-me um dia único e olho para esta foto e vejo-me lá, as enfermeiras, as sensações, a minha menina já no meu peito, o cheiro, aquele calor, os olhos dela nos meus...
Faz-me viajar.
A não perder este e este, dois artigos que assino e subscrevo, para quê repetir?!

19 de março de 2009

Dividida... Agora parece que já não!

Tenho andado dividida e sem saber muito bem o que pensar. Talvez não seja já idade para estas coisas mas a verdade é que por vezes me sinto um pouco "bicho do mato" por me dar a "isto", sendo que "isto" nada mais é do que estas coisas que fazemos com as mãos e em que depositamos todo o nosso empenho e fazemos vibrar a nossa criatividade.
Independentemente de ser bordados nas suas várias técnicas, ou tricot ou crochet, ou mesmo decoupage ou pintura noutra forma, até mesmo a costura seja para vestuário ou para decoração.
Por alguma razão não entra na imagem pré concebida de uma mulher moderna a ideia de FAZER. Pelo contrário, parece que para se ser uma mulher moderna é preciso comprar feito. E quem SABE FAZER pertence a um passado remoto, ou veio da aldeia (sem qualquer preconceito da minha parte), ou então pertence a alguma ideologia ultra conservadora.
Pergunto eu: Não poderão estas formas antigas de SABER FAZER evoluir e continuar a fazer parte do nosso presente, como fizeram do passado das nossas avós (e talvez ainda das nossas mães). Por todas as razões, por ser útil e prático remediar qualquer coisa ou simplesmente pelo prazer que dá ver algo sair da nossa imaginação com a ajuda das nossas mãos.
Por vezes sinto-me desenquadrada, como por exemplo quando vou no metro de agulha de crochet em punho a fazer os hexagonos para a manta do meu sobrinho(a). Por alguma razão que eu não entendo as pessoas parecem estranhar... E eu vou-me divertindo a ouvir os comentários bichanados entre dentes, mas que é claro alguns eu vou ouvindo, e a alguns é impossível conter o riso.
Culturalmente perdeu-se aqui qualquer coisa ou interpretou-se mal o conceito de modernidade. Daí que este conflito tenha surgido em mim. Porque não sou uma uma pessoa conservadora, porque sou uma mulher independente e decidida, porque sou mãe solteira com muita convicção e sem preconceitos em relação a isso, porque gosto de literatura e de artes e de cultura, porque gosto de política e não vejo telenovelas nem coisas afins, e gosto de vinho tinto e de me deitar tarde e exausta e detesto fazer a cama. Mas apesar de tudo isto e muito mais adoro fazer estas coisas e gosto de aprender tudo, e é o que tenho feito e não me parece que em nenhum ponto as duas coisas sejam incompatíveis.
Por isso vou continuar com esta "para alguns carolice" sem me incomodar com o que os outros pensam como sempre fiz até agora e espero que todas as meninas mulheres que andam por aí façam o mesmo. E os meninos homens também, que vergonha é roubar e ser apanhado. O resto é conversa.
Aproveito para divulgar este movimento e outra opinião que me esclareceu e motivou.
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